26 de março de 2011

Vai entender


Ando pensando muito na sonoridade da palavra "fathom". Passo o dia inteirinho falando em voz alta, como um mantra: fathom, fathom, fathomless, unfathomable. E isso é só a primeira semana da licença médica.

17 de fevereiro de 2011

Quando o canto é reza

cd+roberta+sa+e+trio+madeira+-+quando+o+canto+e+reza
Eu bem que sabia que valeria a pena, mas depois de passar tanto tempo longe do Brasil, mesmo com toda insistência em ouvir música popular brasileira todos os dias, redescobri hoje porque amo tanto MPB. Entra a Roberta, bonequinha vestida de santa, e solta aquela voz límpida acompanhada do trio Madeira Brasil e dois percussionistas de peso e volta tudo num flash.
Recordo que o Brasil é feito dessa mistura exótica do samba e do atabaque, do cavaquinho e da viola, e de temas como o mar, o amor e o abandono. O show ganha pontos pela homenagem a Roque Ferreira e pelo ondular da saia de Roberta, cheia de rendas e brilhos, deslizante em sua plataforma. Não sou chegada à Bahia, mas admito que nessa noite, o canto de Roberta foi reza. Amém.

22 de janeiro de 2011

Don't give up on me

"So when I lose my way, find me 
When I loose loves chains, bind me 
At the end of all my faith to the end of all my days 
when I forget my name, remind me "*


No meio das minhas batalhas e entre todos os erros que cometi estamos nós. A possibilidade do nós. E eu tive de andar todos esses caminhos e experienciar essas dores para poder dizer sim ao seu amor. Não é, como eu pensava, um amor sem limites. É um amor cuja fundação nada mais é que a realidade do que eu sou e a esperança do que podemos ser. É o amor pelo qual anseio, que atravessa as tempestades e se sabe bastante. É a mão que segura a minha no medo, que me alimenta na fome, o ombro que me cuida quando somente as lágrimas conseguem expressar o que sinto, que anda ao meu lado pelo vale da sombra da morte. E eu me sentiria indigna não fosse tudo que atravessei para estar aqui. Trabalho em progresso, vida em suspenso.

*http://www.youtube.com/watch?v=NtTa81LyuQM

6 de janeiro de 2011

Do que é bom

Chico que me perdoe, mas bom mesmo é comer sua comida predileta feita pela mamãe. É ser surpreendido com um telefonema de alguém que você não vê há muito tempo. Bom mesmo é terminar de ler aquele livro que você não conseguiu deixar de lado. É  amar e ser amado, preferencialmente pela mesma pessoa. Bom mesmo é ser abraçado sem precisar pedir, comer sem contar caloria, gastar sem se preocupar com o saldo. É ganhar presente do Papai Noel, passar em uma prova difícil, rir de dar dor na barriga, segurar neném no colo, beber aquele vinho caro, ter saúde para esbanjar. Bom mesmo é ter para quem contar o dia, o pesadelo, os sonhos, as estórias.  Ter alguém ao seu lado, nem que seja para segurar sua mão em silêncio e fechar os olhos de noite e dormir.