E se, só por um dia, eu não fosse complicada, seria ainda eu? Se, por uma semana, eu me visse com os olhos dos outros, me entenderia melhor? Se, para variar, falasse o que os outros querem ouvir, passaria mal? Tem dias em que o peso dos "se" me esmaga.
15 de novembro de 2010
Hypothetically speaking
E se, só por um dia, eu não fosse complicada, seria ainda eu? Se, por uma semana, eu me visse com os olhos dos outros, me entenderia melhor? Se, para variar, falasse o que os outros querem ouvir, passaria mal? Tem dias em que o peso dos "se" me esmaga.
14 de novembro de 2010
Olhai os lírios do campo
Sempre imaginei que se eu fosse uma flor, seria uma orquídea, mas hoje descobri que sou um lírio. Você já parou para observar como os lírios são delicados e, ao mesmo tempo, resistentes? Como o perfume de uma só flor se espalha pelo ambiente, deixando uma marca inconfundível? E se você a balançar mesmo que levemente, fica impregnado de pólen e do cheiro. O lírio abre lentamente. Não, não abre. Se escancara. Mostra cada dobra, cada pinta, seu pistilo molhado, tudo. Não pede desculpa pelo perfume, nem pelas cores firmes. "E, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles."
Mesmo em seu ocaso, o lírio envelhece diferente; vai secando as pontas, trocando de cor e perdendo o viço, mas mantém o perfume. Você já quis algo tanto que te dói? Eu fui assim quando sabia quem era. Melhor, quando tinha orgulho de quem era. Depois fui perdendo o perfume, a cor, o viço. Hoje, sou flor de plástico. E todo mundo sabe que "as flores de plástico não morrem".
5 de novembro de 2010
Todos os caminhos
Vá com tempo à Itália. Sem pressa de sentar no café Conca Doro admirando os doces em formato de ferramentas ou as belezas locais que por lá transitam. Sem hora para parar de comer o banquete que o garçon do Il Latini vai te oferecer como se a mamma dele que tivesse cozinhado. Sem hora para sair da Galeria Uffizi refestelando seus olhos de Boticellis, Caravaggios, Rubens, Michelangelos, Rafaels. Com calma para poder sentar na murada de Montalcino e ver os casais passando, a tarde caindo e as parreiras mudando de cor. Tranquilo para poder parar nas lojinhas de Volterra ou San Giminiano e conversar com os artesãos e vendedores. Sem preguiça para se perder nos jardins do Palazzo Medici Riccardi.
Vá com apetite para a pizza de pedaço de Roma, o espaguete ao molho de cinghiale (javali), o capuccino do Café Eustachio, o vinho na Enoteca Tognoni, o sorvete artesanal da Frigidarium. Passeie tranquilamente pelos becos de Massa Marittima, Bolgueri e Populonia e aproveite para provar o queijo com trufas cortado ali mesmo no balcão.
Prove meticulosamente cada supertuscan, barolo e chianti e descubra as mil facetas da sangiovese. De noite, pare na Cava de Noveschi e deixe o perlage dos champagnes te fazer rir à toa.
Tire um cochilo de tarde, à hora da paggegiata, escutando os sinos de Santa Maria dei Fiori ou as conversas animadas em italiano, essa língua quente. Quando acordar, entre na Officina Profumo di Santa Maria Novella e encontre o seu cheiro. Vá se intoxicando com as luzes na Piazza del Campo ou na Fontana di Trevi e não se esqueça de gastar suas calorias perambulando o Museu Vaticano ou se surpreendendo com as esculturas de Bernini.
Deixe de lado o preconceito, o relógio e os planos e vá absorvendo a Itália em goles fartos e respirando fundo. Antes mesmo de você perceber já se sentirá pertencendo àquele lugar e fará parte daquela história.
21 de outubro de 2010
20 de outubro de 2010
I wish I could say that my b-day gift makes me the happiest person on earth but truth be told I am too hurt to let it go. I am too tired if finding out that people are not who they present themselves to be. Too old to play these games. My soul weighs so much I can barely enjoy this wonderful country. one hour at a time, I try to put this behind me and yet I find I am not strong enough. No pictures today, my friends, for I have no smile to share.
9 de outubro de 2010
7 de outubro de 2010
Não cobiçarás
Incrível o que gente motivada faz. Incrível pensar que a gente vive na mesma época que gênios como Steve Jobs, Mark Zuckerberg e Bill Gates, gente que vive em outra era, outra atmosfera. Li outro dia que o que motiva a gente é o que, no final, dá certo e dá dinheiro. Sempre detestei falar, pensar ou planejar finanças. Coisa chata pensar em fazer uma coisa só para ficar rico, milionário que seja. Para quê? Para ter comodidade, você vai dizer, mas é possível ter comodidade sem ter conta abastada.
Quando passei no vestibular, meu pai me ligou, pela primeira vez na vida, para tentar me convencer a fazer algo que desse dinheiro. Não funcionou antes e não funcionaria agora. Só deixei de ser professora porque precisava de mais qualidade de vida.
De certo modo, tenho meus pais a quem culpar por quase pedir desculpas para falar sobre dinheiro. Nunca tive essa cultura de economizar, gastar, juntar, comprar, vender, negociar. Na verdade, sempre achei que o dinheiro, assim como o poder, mostra quem realmente somos e, infelizmente, minha experiência tem sido pior a cada ano. Já rompi várias amizades por conta disso. Posso ser depressiva, OCD, maluca e não saber descrever o que me motiva, mas pobre de espírito não sou.
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